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Sintra Portugal Pro termina com ondas perfeitas, lágrimas e quatro campeões

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A 19ª edição do Sintra Portugal terminou da melhor maneira com ondas perfeitas, sol, e quatro campeões do Mundo: Amaury Lavernhe (Open), Alexandra Rinder (Feminino), Dave Hubbard (Drop Knee) e Tristan Roberts (Pro júnior)

Quanto aos vencedores do evento, Dave Hubbard e Isabela Sousa venceram o Sintra Portugal Pro nas categorias open e feminina, Amaury Lavernhe conquistou o evento em Drop Knee e Tristan Roberts somou o triunfo no evento ao título mundial de juniores.

Ironicamente, Dave Hubbard, que repetiu o segundo título mundial aqui em Sintra, acabou por terminar o dia a vencer o evento na categoria open, batendo Amaury Lavernhe na final, enquanto Amaury acabou por vencer a categoria de Dropknee. O novo campeão do Mundo open, aliás, terminou o dia com 6 baterias no corpo mas, naturalmente, muita felicidade.

“Tenho de dar graças ao momento que estou a atravessar na minha vida”, congratulou-se o francês radicado nas ilhas Canárias, acrescentando: “Este está a ser um ano especial para mim. Fui pai, casei-me há duas semanas e agora sagrei-me campeão do Mundo depois de, no ano passado, quase ter desistido da competição.” Uma alusão ao facto de, em 2013, ter terminado o circuito em primeiro lugar do Circuito Mundial a par com o australiano Bem Player, para ver o desempate ser feito na secretaria, com o recurso ao “ranking” do ano anterior.

“Sintra é um campeonato muito especial para mim. Há 12 anos vim cá pela primeira vez e não tinha dinheiro para pagar o alojamento, por isso dormi na praia. E desde aí, conquistei aqui dois títulos mundiais. Certamente, a Praia Grande tem um sítio especial no meu coração”, desabafou emocionado Amaury, que se tornou matematicamente campeão depois de ver cair, nos quartos, o sul-africano Jared Houston às mãos de João Barciela e, num duelo brasileiro, Uri Valadão ceder frente a Lucas Nogueira.

Dave Hubbard, campeão de luto

E foi de emoções este último dia do Sintra Portugal, com a manifestação mais pungente a pertencer a Dave Hubbard. O havaiano que venceu em Sintra o primeiro evento open da sua carreira depois de eliminar o português João Barciela nas meias-finais e bater Amaury Lavernhe na final, não resistiu às lágrimas quando, no pódio, dedicou a sua vitória à namorada e a um amigo, tragicamente mortos num acidente de viação há quatro meses.

Mas antes de ceder às lágrimas, o havaiano, dono de 6 títulos mundiais de Drop Knee, manifestou a alegria e o orgulho de vencer em Sintra: “Sempre quis vencer aqui. Muitos dizem que a onda não se adequa ao seu surf e menosprezam-na por isso. Eu acho-a muito desafiante e sempre tentei vencer aqui. Acabei por vencer aqui ao homem que se sagrou campeão do Mundo e isso tornou tudo ainda mais especial. Se me sabe melhor ganhar aqui o Open ou ser campeão do Mundo? Este sabor de ganhar em open é novo e eu estou a gostar mais!”

 

 

Alexandra Rinder e o conto de fadas

Alexandra Rinder compete em Sintra desde os 12 anos e vê-la no pódio, aos 16 anos (a mais jovem campeã mundial de sempre), escondendo as lágrimas atrás dos óculos escuros, emocionou muita gente que a vê competir em Sintra desde menina.

O caminho para o título foi atribulado, pois Alexandra foi eliminada na ronda 4 da competição e teve de esperar que a japonesa Sari Ohara e a brasileira Jessica Becker não vencessem o evento. Sofreu até final mas foi salva por outra brasileira, ironicamente, a campeã que agora lhe passou o testemunho, Isabela Sousa. Isabela, que somou o único 10 da competição, na meia-final com a japonesa Ayaka Susuki, derrotou Jessica Becker na final e entregou o título a Alexandra que se atirou para a água para celebrar com a sua “salvadora”.

Isabela confessou que “foi difícil afastar o título do Brasil, mas não me sentiria bem entrar na água e não fazer tudo para vencer. A competição é a minha vida, é algo sagrado, e nunca iria trair isso.”

O diamante sul-africano

Tristan Roberts venceu o pro-júnior de Sintra e, consequentemente, após somar os resultados da etapa de Pipeline e do open de Sintra, sagrou-se campeão mundial sub-18, batendo na final o português Miguel Adão. O jovem sul-africano de 17 anos confirmou o estatuto de uma das maiores esperanças do bodyboard mundial, deixando o havaiano Tanner McDaniels (14 anos) em segundo no “ranking”.

João Barciela e Catarina brilham por Portugal

João Barciela assinou hoje em Sintra uma prestação histórica, só superada por Manuel Centeno, o único português a ganhar o evento, classificando-se em terceiro lugar da geral, a par do brasileiro Lucas Nogueira.

Barciela, local de Carcavelos, deixou pelo caminho o três vezes campeão mundial Jeff Hubbard e o sul-africano candidato ao título Jared Houston e só foi travado por um imparável Dave Hubbard na meia-final. No final, o balanço era claramente positivo:

“A partir do momento em que entrei no ‘main event’, na fase da competição com os melhores do Mundo, mudei a minha atitude e entrei, não digo só para me divertir, mas sem qualquer pressão. Sabia que estava a competir com os melhores do Mundo, com os meus ídolos e que não tinha nada a provar. Fiz as minhas ondas e tudo foi acontecendo até chegar ao terceiro lugar.”

João Barciela, o campeão nacional, ambiciona correr o circuito mundial e confessa-se desiludido com a falta de apoios: “Espero que o meu desempenho no Sintra Pro mostre às pessoas que posso ter sucesso no Circuito Mundial, pois não sei que mais fazer para provar o meu valor. Preciso de ajuda e o bodyboard nacional também.”

Catarina Sousa também subiu ao pódio após conseguir um 9º lugar (eliminada nos quartos por Isabela Sousa) e deixou uma mensagem inspiradora: “Compito no Sintra Portugal Pro desde a primeira edição e quero dar os parabéns à organização de um evento que levou muita gente para o bodyboard. Espero que o que consegui aqui em 2009 (ano em que venceu a competição) e o que fiz aqui hoje motive as minhas alunas e mais gente a abraçar este desporto.”

As despedidas na Praia Grande foram feitas e já há negociações entre a Federação Portuguesa de Surf, a Association of Professional Bodyboarders e a Câmara Municipal de Sintra para um evento especial em 2015, a 20ª edição do Sintra Portugal Pro.

 

Miguel Adão na final do pro júnior

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O quarto dia do Sintra Portugal Pro (23 a 28 de Agosto, Praia Grande) foi um dia preenchido pelas competições dos World Tours Feminino, Drop Knee e o Pro Junior. Nesta última competição, dedicada aos melhores bodyboarders sub-18 do Mundo, o dia foi de emoção para os portugueses, com o figueirense Miguel Adão a garantir um lugar na final frente ao sul-africano Tristan Roberts, considerado por muitos o melhor sub-18 da actualidade.

Com cinco portugueses nos quartos-de-final homem-a-homem, sabia-se que haveria boas hipóteses de ter um atleta luso nas finais e, de facto, depois de Miguel Adão afastar o francês Ethan Capdeville, Afonso Alexandre eliminar o compatriota Miguel Graça, de Carcavelos, e Guilherme Guerra arredar Stephanos Kokorelis numa bateria entre dois amigos de sempre, as coisas ficaram ainda mais entusiasmantes para Portugal, com três portugueses nas meias: Miguel Adão, Afonso Alexandre e Guilherme Guerra.

Assim, Miguel Adão e Afonso Alexandre defrontaram-se num encontro fratricida entre dois atletas da Figueira da Foz, amigos e pupilos do mesmo treinador, o carismático Nuno Trovão, enquanto a Guilherme Guerra coube a titânica tarefa de tentar bater o melhor júnior do Mundo, Tristan Roberts.

Guilherme esteve perto, mas faltou-lhe uma segunda onda em condições muito difíceis, condições de que Tristan soube tirar melhor partido, vencendo 13,75 contra 10,35. E Miguel Adão deu tudo por tudo e bateu o amigo Afonso Alexandre, numa bateria muito disputada (12,05 – 9,00).

“Sinceramente, não pensei que podia chegar a esta final”, confessou Miguel Adão, que assumiu “muito cansaço” após a recente conquista do título europeu sub-18, a semana passada nos Açores. Quanto ao facto de defrontar o amigo Afonso Alexandre, Adão desabafou: “Não foi fácil para nenhum de nós. Queria que ambos chegássemos à final e ter de o eliminar como aconteceu foi duro. Mas a competição é assim. Foi o destino, acho.”

Entretanto na competição feminina, Catarina Sousa qualificou-se para os quartos-de-final, numa bateria ganha pela japonesa Ayaka Suzuki e que afastou a luso-germânica Joana Schenker desta 19ª edição do Sintra Portugal Pro.

Catarina terá agora pela frente, nos quartos, Isabela Sousa, campeão do Mundo em título e uma das mais progressivas bodyboarders do planeta.

Também na competição feminina, um sobressalto para a candidata Alexandra Rinder, eliminada da competição e que agora terá de esperar que a brasileira Jessica Becker e a japonesa Sari Ohara não consigam vencer a prova sob pena de não conquistar o título que poucos pensavam que lhe escaparia. A jovem canária de 16 anos apenas precisava de passar aos quartos-de-final, mas foi afastada pela japonesa Mayumi Tone e por Jessica Becker na ronda 4, a um passo do título mundial.

Amanhã, com a entrada de nova ondulação, regressa a competição masculina e esperam-se algumas decisões nas corridas aos quatro títulos mundiais em disputa.

Check in amanhã às 7h45 com arranque às 8h00.

Jared e Uri levam vantagem ao segundo dia do Sintra Portugal Pro 2014

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E ao segundo dia do Sintra Portugal Pro, a quinta e última etapa do Circuito Mundial de Bodyboard, (23 a 28 de Setembro) a corrida pelo título masculino continua ao rubro, com o top 14 mundial a estrear-se na competição e, consequentemente, os candidatos ao título, nomeadamente, Pierre Louis Costes, Uri Valadão, Amaury Lavernhe e Jared Houston.

Dentro deste quarteto, Uri Valadão e Jared Houston foram os destaques do dia, vencendo os seus heats na terceira ronda do campeonato. Numa ronda de não-eliminação, em que o vencedor é recompensado passando directamente para a quinta ronda, enquanto os outros três atletas têm de disputar a repescagem, Jared fez uma das exibições mais impressionantes do dia, com um total de 16,5 (8,00 + 8,50), o sul-africano bateu o campeão do Sintra 2013, Lucas Nogueira (Bra), Provençal Corentin (Fra) e o português Gastão Entrudo, catapultando-se para a quinta ronda.

De igual forma, Uri Valadão passou à frente da concorrência, vencendo Jeff Hubbard, Diego Cabrera e o jovem campeão europeu sub-18, Miguel Adão, da Figueira da Foz.

Menos sorte tiveram Pierre Louis Costes e Amaury Lavernhe. Os dois franceses, ambos antigos campeões mundiais, não conseguiram melhor que o segundo posto, sendo que Pierre teve de defrontar os portugueses João Barciela e Manuel Centeno, mais o brasileiro Roberto Bruno, o vencedor do heat.

“Foi um heat complicado e agora vou ter de ir às repescagens com o Manuel Centeno e o Helliton Loureiro, dois competidores muito difíceis”, confessou Pierre Louis Costes, que apesar de assumir ter ficado bem impressionado com a performance de Jared, sempre foi dizendo que prefere pensar no “seu próprio desempenho”.

No extremo oposto, Uri Valadão congratulou-se com a vitória no heat e com a vantagem de poder competir directamente no round 5:

“Foi muito bom poder entrar e sacudir a pressão do primeiro heat. Graças a Deus venci e estou a sentir-me muito bem. Adoro surfar em Sintra, já venci aqui três vezes e sinto-me muito confortável aqui.”

Amanhã, o check in é às 7h45, com provável arranque da competição masculina, com a 4ª ronda.

Campeões do Mundo decididos em Sintra

cartaz sintra 2014 oficial

 

É oficial: os três campeões mundiais APB serão coroados em Sintra. Com um
ranking de 4 estrelas, o Sintra Portugal Pro atribui pontos suficientes para decidir
os títulos mundiais masculino, feminino e Drop Knee.

Na divisão masculina, há 6 cenários que podem definir o campeão mundial.

 

O atleta com menos hipóteses é Alex Uranga (País Basco). Uranga é um lutador e
está na mesma posição do campeão mundial em título, Ben Player (mas ausente em
Sintra) e precisa que todos os rivais directos sejam eliminados na ronda 7.

Jared Houston (África do Sul), há muito é apontado como um potencial campeão
mas que ainda não conseguiu essa honra numa carreira brilhante. As suas
performances em 2014 têm sido espectaculares e o seu surf vistoso fazem dele um
potencial candidato.

 

Todavia, Jared precisa chegar, pelo menos, às meias-finais e eliminar a oposição ou
esperar que estes não acabem à sua frente na classificação do evento.

O Top 3 é constituído por ex-campeões do Mundo que sabem o que é preciso para
ganhar. O número três é Amaury Lavernhe (França/Ilhas Reunião). Um atleta
dedicado e com fome de vitória.

As contas de Amaury são simples: chegar aos quartos-de-final e esperar que Uri
Valadão e Pierre Louis Costes sejam eliminados na Ronda 7. Contudo, outros
cenários podem desenrolar-se a seu favor, no que se antevê como grande suspense
para se assisitir no webcast da prova.

No número 2, o assassino silencioso Uri Valadão (Brasil). A sua vitória em
Antofagasta mais alguns bons resultados durante o ano colocam-no em excelente
posição para o título.

A ajudar a essa equação, o amor de Uri por Sintra, onde já venceu quatro vezes, o
que o torna uma boa aposta para a vitória. Precisa apenas de ficar um lugar à frente
de PLC após os quartos-de-final.

Finalmente, o líder do Mundial, Pierre Louis Costes. Desde a sua entrada fulgurante
nos palcos mundiais com 14 anos, PLC cimentou o seu lugar como um dos maiores
bodyboarders da sua geração. Redefiniu o backflip como uma manobra funcional tornando-a a sua favorita. Basta-lhe terminar à frente de Uri para se sagrar campeão mundial.

Na Divisão feminina, tudo estava por decidir entre a australiana Lilly Pollard e a
Canária Alexandra Rinder, mas com a ausência de Pollard em Sintra, Alexandra
conquistará o título.

 

Finalmente, na corrida de DK, Dave Hubbard e um pelotão de havaianos batm-se
com o peruano Edgardo Gomez pelo título.